Tudo começa no
exato momento em que o homem deixa a caverna, seu estado de caçador-coletor e
desenvolve a agricultura e a pecuária, nesse momento ele descobre que não pode
viver sozinho, que é impossível plantar e colher tudo, ele descobre que pode e
deve se relacionar. Nesse momento também, surge a sociedade, e que não difere
da sociedade como vemos hoje.
Quando
esses homens descobriram que podiam viver em grupo, descobriram que cada um
poderia fazer uma atividade e curiosamente surge a primeira hierarquia da
história, para que as atividades do grupo dessem certo era necessário um líder.
Sob uma liderança o grupo pode evoluir, desenvolvendo simultaneamente
agricultura, pecuária, caça e pesca.
Com
a evolução o grupo virou clã, o clã virou tribo, a tribo virou província, a
província virou estado, com seus costumes e métodos, línguas e regras oriundos
do grupo original.
Com
o passar dos séculos essa noção de grupo foi se afinando a tal ponto que
chegamos nos dias atuais, com a necessidade de pessoas cada vez mais adaptáveis
a mudanças. Na história temos diferentes momentos que nos reportam as
diferentes formas de demanda por pessoas, que coincide com o momento em que a
sociedade vive. No período feudal, mandava quem tinha terra, e a mão-de-obra
era essencialmente para o cultivo da terra, de forma que exigia pessoas capazes
de executar árduas tarefas braçais. No período do Ouro mandava que tinha
garimpo, e tivesse dinheiro para financiar as expedições a procura dele e,
obedecia quem pudesse e soubesse garimpar, ou procurar novos garimpos. No
período industrial, mandavam as fábricas, e obedeciam quem soubesse produzir
sem questionar.
Hoje
estamos no período do conhecimento, manda quem tem conhecimento, e um fato
importante, não tem quem obedece, porque o conhecimento está na cabeça das
pessoas. Hoje selecionamos pessoas não só pela atividade mas pelo conhecimento,
“aquele que conhece a si mesmo conhece o mundo”. O bom funcionário hoje é
aquele que está numa fábrica e tem vontade de aprender algo que vai além de sua
função. Ninguém é valorizado por fazer somente aquilo que é pago, ele é
valorizado quando faz algo além, quando ele deixa a vontade de crescer de lado
e vai a luta.
Cabe
hoje ao gestor de pessoas a missão de identificar pessoas que mais do que fazer
o que supostamente devem fazer, façam mais, queiram mais, e a empresa, por
outro lado, possa fornecer essa capacidade ao funcionário de buscar e poder
alcançar esse mais, dando prioridade ao recrutamento interno, antes de sair
pelas ruas a procura de funcionários.
Nós
administradores, gestores, precisamos entender que o mundo mudou, ele hoje pode
estar na tela de um computador ou em um simples celular em questão de segundo.
Respostas nós temos, informação nós temos, precisamos hoje de pessoas capazes
de absorver essas informações, ordenar as respostas e aplicar tudo isso em
resultado no dia-a-dia. Não basta só saber, não basta só ser inteligente, é
preciso agir, é preciso identificar no brilho dos olhos dos funcionários esse
querer, para isso voltemos ao início do texto quando disse que para que a
atividade do grupo desse certo era necessário um líder, mas o que faz um lide?
Nada mais do que identificar a capacidade e a possibilidade de cada indivíduo
em relação a sua tarefa. Não adianta colocar alguém que sabe trabalhar com
pecuária na agricultura nem um da agricultura na pecuária que não vai dar
certo.
A
evolução tecnológica nos coloca em um patamar de exigência que beira ao
extremo, que beira as máquinas, é preciso lembrar-se do homem que opera a
máquina, mas também, é preciso exigir dele conhecimento para operar a máquina.
Se olharmos novamente para a história veremos que as grandes personalidades
foram pessoas de grande conhecimento, seja teórico ou prático.
Em
resumo, hoje necessitamos de pessoas com uma grande capacidade de se
socializar, que tenha facilidade de absorver conhecimento e que seja apta a
mudanças, pois, elas serão cada vez mais constantes. A capacidade de
relacionamento hoje, talvez seja a peça imprescindível do novo século. Hoje nos
relacionamos com pessoas das quais não conhecemos, somos amigos de quem não
vemos, compramos sem o aperto de mão.
Feliz
daquele que se relaciona com pessoas, pois, elas são e continuam sendo a peça
mais importante nesse aglomerado de gente ao qual damos o nome de nação.
Ouro Fino, 14 de Março de 2013.
Wilyan Rafael da Costa